Reportagem Especial: Manipulação e Preconceito

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O grupo Globo discrimina evangélicos mais uma vez. Evento pacífico da Igreja Universal, que renovou a esperança de mais de 8 milhões de pessoas no País, é alvo de ataques e perseguições

Foi uma celebração de fé pacífica, ordeira e alegre que mobilizou mais de 8 milhões de pessoas em todo o País, com megaconcentrações em todas as capitais. O “Dia D”, organizado pela Igreja Universal do Reino de Deus, atraiu multidões decididas a mudar suas vidas, dando a largada para um futuro melhor, sem conflitos, frustrações e dores.

Nas concentrações de 21 de abril foram vistos não apenas evangélicos, mas também seguidores de outras crenças dispostos a compartilhar desta renovação plena de fé e esperança.

Mas, para o jornal “O Globo”, da família Marinho, que controla a “Rede Globo”, o evento exaltado em todo o País foi visto apenas por aspectos negativos, como os efeitos no trânsito da cidade do Rio de Janeiro.

Na sua edição de quinta-feira, 22 de abril, o jornal publicou na capa uma foto de mais de meia página com o título “Caos no Rio de novo surpreende as autoridades”, comparando os transtornos causados no trânsito pela presença dos mais de 2 milhões de pessoas na Enseada de Botafogo com os das chuvas que atingiram o estado no começo de abril e mataram mais de 250 pessoas em uma grande tragédia.

Uma comparação descabida e absurda.

Na mesma edição, o título da página interna é: “Caos universal e autorizado”, numa alusão evidente e pouco sutil ao nome da IURD. O professor universitário e cientista político Guilherme Carvalhido foi um dos que percebeu a má intenção impressa no jornal da família Marinho.

Ao programa “Domingo Espetacular”, da “Rede Record”, disse que se trata de um jogo de palavras com a evidente intenção de acusar a Igreja Universal.

Ao comparar o caos com os estragos das chuvas, o jornal do grupo “Globo” atesta seu preconceito religioso contra os evangélicos, segundo o bispo Clodomir Santos (responsável pelo trabalho evangelístico da IURD no Brasil), organizador do evento e apresentador do programa “Fala que eu te Escuto”, da “Rede Record”: “Como pode fazer esse tipo de comparação?

É falta de respeito com os evangélicos. Nós sabemos do preconceito da ‘Rede Globo’ contra os evangélicos.” Raimundo do Nascimento Filho, presidente do Conselho de Ética, Doutrina e Educação da Convenção Nacional da Assembleia de Deus do Brasil e presidente da Academia Brasileira Teológica de Letras, se diz chocado com a reação do grupo “Globo”: “Achei chocante o posicionamento de um veículo de comunicação em relação ao evento promovido pela Igreja Universal, mas também uma reunião de toda a igreja evangélica e de outras religiões.

A reportagem errou maldosamente ao comparar com a quase calamidade promovida pelas chuvas que assolaram o Rio de Janeiro. Buscar fotos isoladas é o maior sinal de intolerância para um evento religioso evangélico.”

Ele refere-se a uma manipulação grosseira que figurou na edição seguinte do jornal. Em outra reportagem sobre o assunto, “O Globo” exibiu uma imagem em que uma pilha de lixo, supostamente deixada na praia após o evento, parece ser do mesmo tamanho do morro do Pão de Açúcar, em um recurso de ilusão.

O pior foi que o jornal sequer mencionou que voluntários da IURD trabalharam exaustivamente na limpeza da praia do Botafogo tão logo acabou o evento, como mostram imagens exibidas pela “Rede Record”.

A reportagem de “O Globo” é recheada de frases ofensivas e desrespeitosas aos evangélicos, como “visão do inferno” e a “Universal abusou”. Outros eventos, como o Réveillon de Copacabana, que levou cerca de 2 milhões de pessoas à praia (leia na página 19), foram poupados das críticas.Há 2 anos, no mesmo feriado de 21 de abril, a Igreja Católica promoveu um evento similar no autódromo de Interlagos, em São Paulo (onde a IURD realizou este ano o “Dia D”) e o “Diário de S. Paulo”, na época jornal da família Marinho, deu um título bem mais positivo: “Padre Marcelo Rossi reúne 3 milhões de fiéis em festa”, sem falar em transtornos no trânsito ou lixo.

Se para o evento católico o tratamento foi adequado, no caso da IURD os ataques foram ferozes e sistemáticos.

Em entrevista ao “Domingo Espetacular”, Gilberto Garcia, especialista em direito religioso, defende que “foi um evento único e se percebe o direcionamento do jornal (‘O Globo’) por ser um grupo evangélico, que reúne milhões de pessoas em um espaço público, com todo direito de fazê-lo”.

Para o jornalista e consultor político Carlos Brickmann, a tentativa de manipulação da opinião pública é uma realidade no Brasil. “As igrejas evangélicas, como a Universal, cresceram apesar da oposição da mídia.

Boa parte dos meios de comunicação gostaria de manipular a opinião pública, mas até agora esses veículos não tiveram êxito”, avalia.

As tentativas são infrutíferas porque “hoje os meios de comunicação são múltiplos e a população é muito grande. Os interesses diversos agem como contrapeso uns dos outros”,
afirma Brickmann.Em São Paulo, a megaconcentração, que reuniu mais de 2,3 milhões de pessoas, contou com a presença do prefeito Gilberto Kassab, que destacou a organização. “Tudo transcorreu na maior normalidade, apesar da dimensão do evento estar acima das expectativas”, comentou.

Em outros estados, governadores como Jacques Wagner, da Bahia, destacaram o fato de que milhares de pessoas (em Salvador foram mais de 500 mil) se movimentaram exclusivamente movidas pela fé e pela crença.

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, falou da maneira ordeira e da “boa convivência” com que o evento transcorreu em Belo Horizonte, com mais de
200 mil pessoas.

Em seu blog, o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, anunciou em vídeo postado no último dia 23 que o “Dia D” será um evento anual e que a fé dos que optaram por seguir a IURD não será abalada. “Quando nos odeiam, estão fazendo nada mais nada menos do que fizeram com Jesus.

O mesmo espírito do ódio que levou Jesus à cruz é o que faz as pessoas nos odiarem”, afirmou.

Dois pesos, duas medidas

“Dia D” é tratado com desdém, mas outros eventos são exaltados

As organizações “Globo” se mostraram bastante preocupadas com o trânsito e o lixo provocados pelo “Dia D” no Rio de Janeiro, mas esse cuidado nunca mereceu tanto destaque: nos arquivos on-line do jornal “O Globo” e do “G1” (site de notícias do grupo), foram poucas as matérias sobre os congestionamentos e acúmulo de lixo provocados pelo carnaval de rua na cidade, pelo Réveillon e por outros megaeventos.

Notícias sobre outros grandes eventos que aconteceram na cidade também não citam os problemas, como o show da banda inglesa Rolling Stones, em 2006, que atraiu mais de 1 milhão de pessoas, acumulou 196 toneladas de lixo pelas praias e foi transmitido ao vivo pela “Globo”, ou do Réveillon, que costuma atrair 2 milhões de pessoas para a queima de fogos da cidade todos os anos.

Em diversas reportagens os veículos do grupo “Globo” parecem reproduzir dados da assessoria de imprensa da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) – que em nenhum texto tem seu trabalho questionado.

Os organizadores destes outros eventos também não são apontados como responsáveis.
Em reportagem publicada pela revista “Veja Rio”, em 23 de agosto de 2006, a promotora de Justiça Denise Tarin diz que “estava no show dos Rolling Stones e por sorte não aconteceu nada de grave, pois não existe plano viável de segurança para eventos desse porte”, observação que não é citada em nenhuma matéria do grupo.

Enquanto o show se aproximava, a “TV Globo” destacava o recorde de público nas areias de Copacabana.

Assim como o “Dia D“ provocou trânsito, outros megaeventos têm o mesmo efeito na cidade, mas pouco é falado, o que sugere que a organização da família Marinho se preocupa com os efeitos negativos apenas quando se trata de uma iniciativa da Igreja Universal do Reino de Deus.

O Ministério Público do Rio de Janeiro elaborou um procedimento em outubro passado com o objetivo de proibir a realização da festa de Réveillon e do carnaval no bairro de Ipanema em virtude de episódios de vandalismo, algo inexistente no “Dia D”.

Os estragos ocasionados nesses outros grandes eventos não são citados em reportagens dos arquivos do grupo. Ou seja: só existem olhos para as consequências negativas de grandes concentrações quando as organizações “Globo” decidem que isso é relevante.

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